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Animal Collective: Panda Bear conta como Tropicália e Clube da Esquina inspiraram disco que será tocado no Brasil

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Banda dos EUA faz turnê em que toca na íntegra ‘Sung Tongs’, disco de 2004; músico fala ao G1 antes de shows nesta quinta (23), no Rio (25), em BH (26) e Porto Alegre (28). Animal Collective, com Panda Bear em azul
Divulgação
Panda Bear fala “Clube da Esquina” cheio de sotaque português (o B e o D mudos e o S chiado fazem a turma de Milton Nascimento e Lô Borges virar “club d’exquina”). O músico dos EUA acabou de fazer 40 anos, mora em Lisboa desde os 26 e ouve música brasileira desde os 11.
O vocalista e multinstrumentista, de nome real Noah Lennox, falou ao G1 sobre os shows do Animal Collective no Brasil, com o repertório do disco “Sung Tongs” de 2004. Eles vão a São Paulo (23), Rio de Janeiro (25), Belo Horizonte (26) e Porto Alegre (28).
No Rio, o show será parte do Queremos Festival, que também terá o trio australiano Cut Copy, o cantor americano Father John Misty e outros. Veja serviço completo abaixo.
A turnê terá Panda Bear e Avey Tare, os membros que gravaram o disco em 2004, o quinto deles. O quarteto tem essa flexibilidade nos projetos, nem sempre com formação completa. O próximo, “Tangerine reef”, não terá Panda Bear. Ele contou na entrevista que prepara um álbum solo.
Ele diz que conheceu bossa nova aos 11 anos em um restaurante com a família, e ganhou de aniversário uma fita com músicas e João Gilberto. Anos depois, trabalhando em uma loja em Nova York, conheceu Caetano e se aprofundou na música brasileira, que influenciou “Sung Tongs”.
Panda Bear confessa que não é muito de nostalgia e hesitou em fazer a turnê, mas falou de boa sobre lembranças, show atual e novos projetos.
G1 – ‘Sung Tongs’ não está fazendo aniversário nem é um disco óbvio para uma turnê deste tipo. Por que vocês decidiram fazer?
Panda Bear – A razão é menos emocionante que parece. No fim do ano passado o [site] Pitchfork fez um evento e nos chamou para tocar algum disco antigo. Escolhemos este. porque a logística é mais fácil. O equipamento é simples, basicamente dois violões, e dava para arrumar rápido.
Mas acabou que foi divertido. Fizemos umas versões diferentes, retorcidas. Recriamos umas coisas com mais energia. E também adicionamos algumas músicas daquela época que não estão no disco.
G1 – E como o Avey passou pelo Brasil recentemente para gravar o EP ‘Meeting of the waters’ [gravado na Amazônia, veja abaixo], vai ter alguma música nos shows aqui? Aliás, por que você não participou?
Panda Bear – Seria uma boa ideia, mas infelizmente a gente não pensou nisso a tempo, não ensaiamos. Eu gostaria de ter ido, mas tinha que passar um tempo em casa com a minha família. Tenho que equilibrar este tempo livre com o trabalho.
G1 – Foi o mesmo motivo para você não participar de ‘Tangerine reef’ [‘álbum visual’ que o Animal Collective lança no dia 17]?
Panda Bear – Também, mas quando eles estavam fazendo o “Tangerine reef” eu estava gravando um disco meu, planejando uma nova turnê. Temos esta dinâmica de fazer coisas juntos e depois se separar. Mas eu sei que eles vão fazer uma turnê deste disco.
G1 – O jornal português ‘Público’ disse que o ‘Sung Tongs’ era ‘como se os Beach Boys chocassem de frente com o tropicalismo’. Você concorda?
Panda Bear – É uma boa definição. Não é completa, porque a gente ouvia várias outras coisas. Mas com certeza Beach Boys e Tropicália nos influenciaram na época.
G1 – A parte dos Beach Boys já foi muito discutida. Queria saber sobre a Tropicália e a música brasileira. Que aspectos dela e que artistas te interessam?
Panda Bear – Ah, são tantos…
O Caetano Veloso é um ponto de partida. É uma grande influência para todos nós. E eu, aqui em Portugal, acho legal vê-lo até hoje na TV aberta. Ele continua ativo e tão bom. Ele é um dos meus favoritos.
E tem também o Milton Nascimento e o Clube da Esquina. Eu amo o jeito que esse álbum [“Clube da esquina”, de 1972] foi produzido. Depois de ouvir, eu sempre quis produzir um álbum desta forma.
G1 – Dá para entender as influências do Tropicalismo, o jeito que eles descontruíam músicas populares daqui tem a ver com o tal ‘freak folk’. Mas o Clube da Esquina não é tão claro: era uma influência desde lá em 2004, em ‘Sung Tongs’?
Panda Bear – Sim, eu estava escutando muito na época do disco e isso influenciou as canções. Outra coisa brasileira que eu gosto muito é bossa nova. Tom Jobim, João Gilberto.
G1 – E como você conheceu estes músicos brasileiros?
Panda Bear – O caso da bossa nova é uma coisa mais antiga. Eu tinha uns 11 anos e estava em um restaurante com a minha família. Aí eu ouvi uma bossa nova no sistema de som do restaurante.
Acho que era “Garota de Ipanema” ou alguma coisa bem óbvia. Perguntei para a minha mãe e ela me explicou. Aí, no meu aniversário, eles me deram uma fita cassete com músicas do João Gilberto.
G1 – Que legal, você ainda tem essa fita?
Panda Bear – Não sei, deve estar em algum armário. Mas seria legal achar, sim.
G1 – Mas os outros não são tão comuns de se ouvir num restaurante quanto ‘Garota de Ipanema’.
Panda Bear – Sim, o Caetano e as outras coisas só fui descobrir depois. Eu trabalhava em uma loja de discos em Nova York chamada Other Music [importante na cena cultural recente do East Village, mas fechou em 2016]. Não era uma loja só de coisas populares. Eu estava sempre conhecendo coisas diferentes, e assim cheguei ao Caetano.
G1 – E hoje imagino que Caetano não seja o único brasileiro que você vê sempre aí em Portugal. Tem muitos brasileiros se mudando para Lisboa, não sei se você percebeu.
Panda Bear – Sim. Não só brasileiros, vejo cada vez mais gente do mundo inteiro aqui. Mas claro que muitos daí. Minha mulher [a designer portuguesa Fernanda Pereira, motivo do êxodo de Panda Bear para a Europa, mãe de seus dois filhos] fez uma amiga de Curitiba. Conversamos com ela e achamos que deve ser uma cidade muito legal para visitar.
G1 – Mas pelo que entendi você vai voltar para a estrada de novo depois desta turnê, com um disco novo seu.
Panda Bear – Vou lançar um álbum do Panda Bear em janeiro. É um LP, mas curto. Terá uns 35 minutos. Para mim, é a duração perfeita, o tempo certo para você escutar em uma sentada. As pessoas agora fazem discos de uma, duas horas. Não dá. Eu tento fazer curtinho, para ouvir do início ao fim.
Noah Lennox, ou Panda Bear
Divulgação
G1 – E este retorno a ‘Sung Tongs’ se refletiu no disco solo?
Panda Bear – Bastante. Porque eu comecei a turnê em dezembro passado, quando estava fazendo as músicas. O meu violão estava na mesma afinação das músicas de “Sung Tongs”, e eu compus todas as novas nesta afinação. A produção é diferente, mais contemporânea. Mas há esta ligação.
G1 – Li que vocês fizeram o disco lá em 2004 em quartos nas casas de pais de vocês, inclusive da sua mãe. Qual a diferença entre fazer música na casa da sua mãe, como antes, e na sua casa com seus filhos, como hoje?
Panda Bear – A maior diferença é que quando eu toco na minha casa hoje os meus filhos ficam com vergonha. (risos) Eu até fico mais contido. E no lugar onde eu moro hoje todos os vizinhos e pessoas passando na rua conseguem ouvir. É difícil. Eu até tive que alugar outro lugar.
Mas o lance de “Sung tongs” é que, apesar de ter sido em casas de famílias, a gente achou um espaço nosso. Era na casa da família do David [Porter, o Avey Tare], mas tinha um som totalmente isolado. E isso fez com que a gente se soltasse e ajudou na criação.
G1 – E após fazer vários shows dessa turnê, que pelo que você diz foi quase acidental, como você avalia a experiência?
Panda Bear – A minha resposta vai ser muito diferente da que o David daria.
Eu não gosto da ideia de se fazer algo velho, de nostalgia. Não é assim que meu cérebro funciona. Criativamente, não me anima. Eu estava muito reticente em fazer a turnê. Uma vez, tudo bem. Resolvi dar uma chance, e foi divertido.
Dito isso, fizemos duas semanas na Europa, três nos EUA e uma e meia na América do Sul. Mas é isso, não vai rolar mais. Eu não quero fazer isso para todos os discos. Foi divertido fazer uma vez, mas é só.
Animal Collective toca ‘Sung tongs’ no Brasil
São Paulo
Data: Quinta-feira, 23 de agosto
Abertura: Rubel
Local: Fabrique Club
Endereço: R. Barra Funda, 1071
Horário: Portas 20h00, show às 22h00
Preços: R$90,00 a R$240,00
Ingressos: Ticketload
Rio de Janeiro – Queremos Festival
Data: Sábado, 25 de agosto
Line-up: Animal Collective, Cut Copy, Father John Misty, Baianasystem, Boogarins, ionnalee / iamamiwhoami, Letrux, Rincon Sapiência, Nepal, Selvagem, Rubel, Xênia França
Local: Marina da Glória
Endereço: Avenida Infante Dom Henrique, sem número, Glória
Horário: 14h
Preços: A partir de R$ 160
Ingressos: Queremos.com.br
Belo Horizonte
Data: Domingo, 26 de agosto
Abertura: Letrux
Local: Music Hall
Endereço: Av. do Contorno, 3239 – Santa Efigênia
Horário: 19h30
Preços: de R$ 80 a R$ 160
Ingressos: Queremos.com.br
Porto Alegre
Data: Terça-feira, 28 de agosto
Abertura: Letrux
Local: Bar Opinião
Endereço: Rua José do Patrocínio, 834, Cidade Baixa
Horário: 19h30 (portas); 21h (show)
Preços: de R$ 85 a R$ 160
Ingressos: Blueticket
Outros shows de artistas do festival:
O Cuty Copy também toca em São Paulo no dia 28 e em Porto Alegre no dia 29. Father John Misty também toca em São Paulo no dia 26. Veja mais informações.
Fonte: http://g1.globo.com/dynamo/pop-arte/rss2.xml

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Marcos Morrone

Nascido em São Paulo Capital: Fotógrafo Profissional e Produtor Musical. CEO do Grupo Morrone Comunicações Ltda.

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