ArtigosMecânica QuânticaRevista

Arte, fé e ciência… algo impossível? Não quando se trata do Sudário de Turim

Renomado estudioso da relíquia, Prof. Dr. Jack Brandão

Renomado estudioso da relíquia, Prof. Dr. Jack Brandão, relaciona esses três aspectos para explicar se o pano é, ou não, uma criação medieval.

Ficção ou realidade? Pintura ou decalque? Até hoje, a maior relíquia católica, o Santo Sudário, segue envolta em mistérios que intrigam todos que se aventuram conhecê-la. Para uns é tratada como o lençol mortuário que envolveu o corpo de Jesus Cristo após sua crucificação; para outros, não passa de uma fraude bem construída… Apesar das discordâncias, o pano continua atraindo a atenção de todos, crentes e não crentes.

Em 1978, após exaustiva investigação, diversos cientistas dos EUA afirmaram que não havia tinta no tecido, mas não conseguiram explicar a origem da imagem ali estampada. Dez anos depois surge uma bomba: o resultado do exame de carbono 14, realizado por três laboratórios de ponta, afirmou que o pano era uma criação medieval. Em 2018, pesquisadores da Liverpool John Moores University, no Reino Unido, e da Universidade de Pavia, na Itália reafirmaram que a relíquia é uma falsificação produzida na Idade Média, ao realizarem experimentos com sangue humano, manequins e voluntários.

As provas da autenticidade do Sudário de Turim
As provas da autenticidade do Sudário de Turim – Foto: Divulgação

Tais resultados, não poderia ser diferente, foram todos contestados. Se por um lado, a ciência se revela fundamental para atestar, ou não, a veracidade daquele tecido de linho, dificilmente chegará a uma unanimidade; por outro, há uma área que pode contribuir, de maneira significativa, para seu estudo: a arte. É exatamente a isso que o renomado pesquisador do Santo Sudário, Prof. Dr. Jack Brandão, se dedica há mais de trinta anos.

Aliadas às contribuições científicas, o pesquisador fundamenta-se em estudos artísticos para desconstruir a ideia de que as marcas, na relíquia, sejam medievais. Mas, afinal, se a arte é subjetiva, então como é possível tal análise por seu meio? Para Brandão, é preciso ter cautela ao se pensar dessa forma, pois a subjetividade artística que conhecemos hoje é bem diferente daquela que se expressava no passado: “Se muitos apregoam que o Sudário foi pintado na Idade Média, ele deveria possuir padrões, mostrar sua época. Só que nós não percebemos isso. Não há nenhum traço, nenhuma linha que demonstre ser o Sudário uma pintura medieval. Exatamente porque a arte do período necessitava de modelos, de paradigmas em que se espelhar.”

De acordo com o pesquisador, os artistas do medievo adotavam padrões rígidos para produzir suas obras e precisavam recorrer a eles. Uma vez escolhido um, este serviria de base para outros. Tal modelo epistemológico mimético atinge seu auge no século XVII, mas entra em declínio nos séculos seguintes e, apenas no século XIX, com o Romantismo, surge a ideia de originalidade: “Com seu rompimento, perderam-se os modelos de representação que permeavam a cultura ocidental por séculos. A partir de então, a subjetividade assume o papel preponderante na arte”.

O Santo Sudário em exposição no Museu de Turim
O Santo Sudário em exposição no Museu de Turim – Foto: Divulgação

Segundo o pesquisador, tal estudo fica claro quando se observam as diferenças entre as pinturas de Cristo e os traços presentes na relíquia. “O homem do Sudário está completamente nu. Já as primeiras obras artísticas que retratam Jesus crucificado mostram-no de olhos abertos e vestido com as roupas sacerdotais, não como se apresenta no lençol mortuário”.

Para o professor Brandão houve todo um trabalho de construção imagética que se inicia com a própria aceitação da cruz, como símbolo da fé cristã; realidade que, para muitos de nós, sempre existiu. “Mas não foi bem assim, é somente a partir da aceitação da cruz que se começou a buscar o Cristo crucificado como demonstração da própria redenção”. Quando isso ocorre, ressalta o pesquisador, Cristo é retratado com olhos abertos, já que havia ressuscitado. No entanto, “a própria Igreja solicita aos artistas que parassem de retratá-lo dessa maneira, mas de olhos fechados, pois havia a necessidade de se demonstrar seu lado humano, de que ele havia morrido de fato”. Isso porque “algumas heresias negavam sua morte, afirmando que Jesus, por ser Deus, nunca poderia morrer, o que romperia com o próprio dogma da redenção”.

Dr. Jack Brandão, portanto, relaciona arte com ciência em diversos momentos, como “em relação ao próprio processo de crucificação que, desde Constantino, havia sido proibido como pena capital. Assim, quando os artistas resolvem empregá-la imageticamente, tiveram de criar um paradigma, visto que não havia mais modelos em que se basear. Mas, quando isso ocorre, difere, completamente, do que se percebe no Sudário de Turim e nas futuras pesquisas”. Estas, porém, abriram grandes horizontes para que se pudesse compreender a crueldade dessa pena que sequer poderíamos imaginar.

Sobre o Prof. Dr. Jack Brandão:

Renomado estudioso da relíquia, Prof. Dr. Jack Brandão
Prof. Dr. Jack Brandão – Foto: Divulgação

Doutor pela Universidade de São Paulo (USP), pesquisador sobre a questão imagética em diversos níveis, como nas artes pictográficas, escultóricas e fotográficas. Autor de diversos artigos e livros sobre o tema no Brasil e no exterior. Coordenador do Centro de Estudos Imagéticos CONDES-FOTÓS Imago Lab e editor da Lumen et Virtus, Revista interdisciplinar de Cultura e Imagem.

Mais informações: condesfotosimagolab.com.br

Fonte: Mariana Mascarenhas – Assessora de Imprensa

LEIA +: TBO Holidays registra crescimento após participar da Braztoa RJ

Sérgio Murilo

Nascido em Ponte Nova, MG, mas reside em São Paulo desde os 2 anos de idade. Jornalista e Empresário e a 15 anos atua como presidente do Conselho de Segurança Publica em São Paulo, Brasil.

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo
Fechar
Fechar