Fotógrafos

Confira a entrevista com o fotógrafo Marcelo Macaue

Marcelo Macaue  fala sobre sua carreira e deixa várias dicas para quem sonha entrar neste universo.

Com um acervo fotográfico dos mais respeitáveis Macaue é um dos grandes fotógrafos da atualidade

O fotógrafo paulistano Marcelo Macaue começou sua trajetória profissional como diretor de externa em uma grande emissora de TV, o que possibilitou viajar por todos os cantos do país.

Conheceu de verdade o povo brasileiro, sua cultura, nuances do idioma, hábitos locais. Talvez venha daí sua habilidade em retratar pessoas.

Como produtor independente, dirigiu documentários como 50 anos de Bossa Nova; Sacramento, uma Cidade História (MG), Vila – O Filme (Centenário Santos Futebol Clube), entre outros.

Além de inúmeros projetos junto ao MuBE (Museu Brasileiro de Escultura).

Macaue para se reciclar resolveu passar alguns meses em Paris. Entre os passeios na Cidade Luz, se apaixonou pela fotografia.

Voltou ao Brasil com a certeza de que seria fotógrafo.

Entrou de cabeça nos estudos, leu todos os livros possíveis, assistiu centenas de filmes sobre fotografia e buscou tutoriais sobre o tema.

Dos cantos pacatos do Brasil até Paris, Marcelo Macaue construiu uma visão ampla da arte fotográfica.

Em um ano, começou a dar aulas sobre o assunto.

Realizou expedições fotográficas pela Europa, se especializou em fotografia de palco trabalhando com grandes nomes da MPB como Caetano Veloso, Paulinho Moska, André Abujamra,  entre outros.

Foto Adão Monteiro (músico): Marcelo Macaue

Confira a entrevista:

  1. Como foi seu primeiro contato com a fotografia e por que decidiu se tornar fotógrafo?

Foi em Paris. Fui passar um tempo para reformular a vida. Lá me deparei com o festival internacional de fotografia. Fui em todas as galerias e em uma delas estavam expostos os fotogramas do filme Psicose do Hitchcock.

Fiquei encantado. Tinha levado uma câmera básica para registrar alguns momentos, mas o que aconteceu é que me apaixonei e de lá para cá me tornei um fotógrafo assíduo na prática e nos estudos.

  1. Em que área ou segmento da fotografia se sente mais à vontade?

Eu adoro realizar retratos. O retrato conta muito da pessoa.

O processo até o click, as conversas que antecedem o ato mágico que é a captura, transforma a minha profissão num ato de pesquisador antropológico, rsrs.

Mas eu ando por outros gêneros como a fotografia de palco, a fotografia conceitual, a fotografia de rua. Adoro fotografar.

  1. O que considera mais importante para se ser um bom fotógrafo?

São alguns itens nessa lista.

O conhecimento do aparelho, a observação, o silêncio e por último,  e mais importante, que é para mim o significado do que é fotografia, o ato da “decisão”. O exato momento em que decido capturar. Fotografia é decisão.

  1. Onde vai buscar a inspiração necessária para criar o seu trabalho?

Nos grandes que me antecederam. Dificilmente busco no contemporâneo meu espelhamento.

Nos livros. Sou um leitor assíduo dos livros de arte, fotografia e outras matérias. A fotografia é uma matéria multidisciplinar. Para existir a imagem e a inspiração o fotógrafo deve dialogar com essa pluralidade de matérias existentes como antropologia, sociologia, arqueologia, psicanalise, etc.

  1. Que tipo de preparação você faz antes de fotografar?

Tomo consciência. Isso é muito importante. Ter a consciência que se vai fotografar. Muitas vezes nos perdemos no barulho intenso e ensurdecedor.

Lacan vai nos ensinar que “existimos onde não pensamos” e isso vai ao encontro com estar consciente do ato fotográfico.

Consciente eu decido e naquele instante eu não percebo mais o mundo exterior.

  1. Como descreve seu estilo como fotógrafo?

Sou um fotógrafo conservador em questões que envolvem a ética, mas sou um criador implacável quando estou evoluindo uma ideia.

  1. O que te motiva como artista?

A inquietude. Não consigo me imaginar numa repetição diária. Um cotidiano nada subversivo, rsrs.

As vezes acordo e lavo o rosto e escovo os dentes. Outros dias tomo café primeiro. Outros tomo banho primeiro. É assim.

Posso mudar. Posso reinventar meus dias. Isso me faz sentir vivo. Ferreira Gullar diz: “a arte existe porque a vida não basta”. É isso.

  1. Você conta com alguém que te ajuda na produção? Ou é um trabalho de criação solitário?

Fotografia é solitária.

O processo de criação e produção é outra coisa. Sempre envolvendo muita gente. Mas a fotografia é solitária.

Solitária não quer dizer triste. É estar “presente” no ato fotográfico.

Buscar novos momentos não é fácil. O que temos sempre é uma repetição da vida de eventos. Então onde está o que busco? Essa procura é solitária.

  1. Qual o caminho que o fotógrafo deve percorrer para chegar onde chegou?

Ler. Estudar. Ver filmes. Fotografar todos os dias.

Ter interesse. Não buscar o mais fácil, o mais trivial. Ser incansável em busca do melhor ponto de vista, da melhor realização da ideia. Na fotografia não há atalhos.

  1. Quais as maiores dificuldades para um fotógrafo em início de carreira?

Saber quem se é imageticamente.

Quais as habilidades competências e inteligências o fotógrafo iniciante tem. Depois o equipamento.

No Brasil pagamos 4x mais pelo equipamento em relação ao que o fotógrafo americano paga. Isso é uma vergonha.

  1. Como você lida com os softwares de tratamento de imagem?

Adoro. Sou do tipo de fotógrafo que tem como parceiro os softwares de edição.

Porém, não aceito no meu trabalho recortes de céus, retirada de objetos. O que faço é tratamento básico de cor, contraste, nitidez.

  1. Você acha que o fato de todo mundo ter uma câmera fotográfica contribui para uma banalização da fotografia?

A fotografia é a arte mais democrática que existe nos tempos atuais. Isso é fantástico.

Porém, com isso veio também o desgaste não da imagem, mas dos valores que a fotografia carrega. Tudo virou muito raso, banal.

  1. Como vê o universo da fotografia atualmente e no futuro?

Um náufrago a espera de resgate.

  1. Quais são seus projetos futuros?

Fotografar para sempre.

Foto do Marcelo Macaue: Rafael Cruz Ramalho
Foto do Marcelo Macaue: Rafael Cruz Ramalho

Siga o fotógrafo no  Instagram @marcelomacaue 

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Cristina Aguilera

Cristina Aguilera é jornalista com pós graduação em Mídias na Educação pela Universidade de São Paulo (USP) . Foi repórter de tv, rádio, revista, assinou colunas de Turismo e Moda. É co autora do livro “ A educação contada pela imprensa” junto com Cesar Callegari. Adora moda, turismo, educação, literatura, designer e cultura.

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