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Handmaid’s Tale, infertilidade e a necessidade de conscientização

Cláudia Navarro, especialista em reprodução assistida

Estamos chegando ao fim do mês de junho, que é internacionalmente dedicado à conscientização da infertilidade. De 50 a 80 milhões de pessoas no mundo sofrem com esse problema, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Neste mês, por coincidência ou não, estreou na TV por assinatura a terceira temporada de Handmaid’s Tale (O Conto da Aia). Uma série que, entre discussões sobre machismo, feminismo, extremismos e relações de poder, evidencia a falta de informação acerca da infertilidade.

Na série, marcada por cenas fortes e narrativa pesada, após uma crise de esterilidade ameaçar o fictício país Gilead, mulheres consideradas férteis são tratadas como propriedade do estado e forçadas a participar regularmente de rituais, a fim de “garantir a natalidade”. Para se diferenciarem do restante, elas são obrigadas a usar capa vermelha e touca branca, símbolo da série e hoje, também, de resistência de grupos feministas na vida real.

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Assim como pensa a sociedade de Handmaid´s Tale, longe das telas a falta de informação já levou muitas pessoas a associarem exclusivamente às mulheres a “culpa” pela infertilidade. Graças aos estudos em reprodução assistida, hoje sabemos que, para um casal que passou 12 meses tentando uma gravidez, sem o uso de métodos contraceptivos, há 35% de chances de a infertilidade estar relacionada à mulher, outros 35% ao homem, em 10% para ambos, e 10% de causas desconhecidas. A conscientização sobre o assunto se mostra necessária, pois existem técnicas variadas de tratamento para cada caso.

A infertilidade de homens e mulheres envolve aspectos biológicos, psicológicos e sociais, e todos eles devem ser considerados durante a consulta com o especialista. A investigação de uma possível infertilidade vai desde a entrevista na primeira consulta à realização de exames clínicos e laboratoriais, como espermograma, e exames ultrassonográficos e radiológicos, para avaliação de útero, ovários e trompas.

Temos visto grandes e rápidas evoluções na área de reprodução assistida, que auxiliam tanto homens quanto mulheres. A citar a primeira criança gerada por Fertilização In Vitro no país, que nasceu em 1984, seis anos após o primeiro caso no mundo, ocorrido na Inglaterra. A quantidade de mulheres que deram à luz depois dos 35 anos cresceu 65% nos últimos 20 anos, segundo o Ministério da Saúde. Isso mostra que, mesmo sem interferir na taxa de natalidade do país, que está em queda, a realidade mudou para esse grupo de mulheres em idade na qual a capacidade reprodutiva começa a declinar.

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Para finalizar, outro ponto importante na reprodução assistida, que liga independência e autonomia feminina à preservação da fertilidade, é o congelamento de óvulos. A prática no Brasil existe há mais de uma década e vem sendo utilizada por mulheres que desejam engravidar mais tarde, seja porque vão passar por procedimentos invasivos, que podem afetar os óvulos, ou porque esperam o momento mais propício para engravidarem.

Sobre Cláudia Navarro

Cláudia Navarro é especialista em reprodução assistida. Graduada em Medicina pela UFMG em 1988, titulou-se mestre e doutora em Medicina (obstetrícia e ginecologia) pela instituição federal. Atualmente, atua na área de reprodução humana, trabalhando principalmente os seguintes temas: infertilidade, reprodução assistida, endocrinologia ginecológica, doação e congelamento de gametas.

Samuel Aguiar

Nascido em Belo Horizonte - MG. Graduando em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Minas Gerais e dedicado ao Jornalismo Digital. Programador do Portal Ego Notícias. Entre em contato comigo via e-mail: samuelaguiar12@hotmail.com

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