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ENTRETENIMENTO

Momo, Slender Man e outras lendas da internet… O que é Creepypasta e como ela invadiu a cultura pop?

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Histórias de terror com autoria desconhecida são propagadas em sites e dão origem a games e filmes. ‘Slender Man: Pesadelo sem rosto’ estreou nesta quinta-feira (22). Cena de ‘Slender Man: Pesadelo sem rosto’ mostra uma das imagens do personagem que circulam pela internet
Divulgação
Histórias de terror e suspense de autoria quase sempre desconhecida, que vão se espalhando descontroladamente e viram lenda urbana com base na dúvida: “Mas será que é verdade mesmo?!”. Tem gente que jura que sim.
Se você pensou em Loira do Banheiro ou afins, está quase lá. A releitura dessas tramas com personagens macabros assustadores feita pela “geração selfie” chama-se Creepypasta.
Cria da internet, a modalidade invadiu a cultura pop: o exemplar mais recente é o filme “Slender Man: Pesadelo sem rosto”, que estreou nesta quinta-feira (23). Apesar das críticas péssimas, o resultado nas bilheterias americanas foi excelente. Arrecadou US$ 11 milhões no primeiro final de semana em cartaz, ultrapassando de cara seu modesto orçamento de US$ 10 milhões.
O icônico Slander Man “nasceu” em 2009, em um fórum de discussão de site. Rapidamente, foi elaborado todo um folclore em torno do sujeito altíssimo, de braços longos e rosto inexistente: ele teria como esporte favorito raptar crianças e fazê-las desaparecer – na vida real, como convém aos bons e velhos mitos do mal desde que tudo isso aqui era mato.
Mas ele é só dos muitos exemplos de como as creepypastas podem chegar longe, inclusive resultando em crime de verdade (leia mais abaixo). Em sites temáticos e com impulso de redes sociais, o gênero movimenta fãs – e divulgadores – que praticam a atividade com devoção.
Veja, abaixo, perguntas e respostas sobre Creepypasta:
O que é Creepypasta?
Na essência, uma creepypasta não é em nada diferente de uma história de terror clássica. (Atenção: na essência.) O que muda são os meios de propagação (internet, redes sociais, games…), a criação coletiva etc. O site em inglês Creepypasta Wiki, um dos principais pontos de encontro de apreciadores do gênero, define:
“Creepypastas são essencialmente histórias de horror criadas na internet, repassadas em fóruns e outros sites para perturbar e assustar leitores. (…) As creepypastas são às vezes complementadas com fotos, áudio e/ou vídeos relacionados à história, com conteúdo normalmente sangrento, distorcido [ou deformado, desfigurado] e chocante”.
Uma reportagem sobre o tema publicada em 2014 na revista “Time” citou que a ideia é mesmo “enloquecer totalmente o leitor” a partir de “lendas urbanas populares”.
“São basicamente histórias de fantasmas compartilháveis e concebidas por usuários de sites que podem se concentrar em qualquer coisa, desde a mais horripilante, como assassinato e suicídio, até as assustadoras e sobrenaturais, como de alienígenas e zumbis”, exemplifica o texto.
Também referência no assunto, o site Creepypasta.com crava: “Bem, [creepypasta] é uma pequena história de ficção de terror”. Hmmm, ficção? Será mesmo?
Bem, o site brasileiro Creepypasta Brasil Wiki deixa no ar: “É difícil dizer se uma creepypasta é baseada em algo real ou não, apesar de sabermos que são apenas histórias para nos entreter”.
Quais os estilos mais comuns de Creepypasta?
O Creepypasta Wiki lista três estilos mais comuns dessas histórias:
Anedotas: o narrador conta uma história que pode ser desde uma lenda assustadora a um “episódio bizarro de seu passado”.
Rituais: o formato é de lista de tarefas a serem cumpridas pelo leitor, com hora e lugar específicos. Geralmente, não é nada muito simples de se executar (quanto mais misterioso, melhor). Ah, mas e se não fizer? É aquilo: “Algo terrível poderá acontecer”.
O “Episódio Perdido”: aqui, é criada uma história macabra e supostamente jamais contada (claro) de um personagem de desenho, programa TV etc. Não é raro que envolva um desenho animado infantil ou programa cômico. A ideia é mostrá-los agindo de modo estranho, violento ou mesmo matando uns aos outros ou cometendo suicídio. O Creepy Pasta Wiki adverte: “Este estilo de creepypasta caiu em desgraça nos dias de hoje, já que é visto como clichê”.
Já o Creepypasta Brasil Wiki acrescenta duas variações:
Diários: com nome autoexplicativo, esse estilo prevê histórias contadas no formato de entradas em um diário do autor.
Versões alternativas de games: os jogos são modificados e ganham componentes de terror ou sobrenaturais (um personagem possuído, por exemplo), abrindo espaço eventual para violência, sangue etc.
O que significa o termo ‘creepypasta’?
O termo “Creepypasta” é, na verdade, derivado de “Copypasta”, uma gíria de internet nascida em 2006.
Na época, um trecho viral que se espalhou no melhor estilo copia-e-cola (em inglês, copy-and-paste) ganhou o o nome de “copypasta” no fórum on-line 4chan. O “apelido” pegou.
A partir daí, a coisa andou, e vieram então os subtipos da tal “copypasta”. O mais popular deles foi justamente o creepypasta, que apareceu por volta de 2007. O termo em inglês “creepy” pode ser traduzido como “arrepiante” ou “assustador”.
Naquele princípio, a propagação se dava por meio de pedaços de textos que eram, enfim, copiados e colados para levar adiante histórias de horror e lendas urbanas.
No entanto, foi apenas no final 2010 que “creepypasta” pegou de vez lá fora e virou tendência, informou uma reportagem do jornal americano “The New York Times” publicada em 12 novembro daquele ano.
Exemplos de creepypastas famosas
Esta é a cara da “Momo”
UIDI/Twitter
— Momo
Uma das creepypastas mais recentes a fazer sucesso foi a “a Momo do WhatsApp”. A personagem tem aparência aterrorizante: olhos esbugalhados, pele pálida e sorriso sinistro.
A figura ficou famosa pelo WhatsApp, disseminada como desafio viral que espalhou por vários países. Os participantes eram desafiados a começar a se comunicar com um número desconhecido. Se enviassem uma mensagem à Momo, a resposta vinha com imagens violentas e agressivas. Participantes do desafio relataram ter recebido resposta com ameaças.
A origem da imagem é japonesa. Pertence a uma escultura de uma mulher-pássaro que foi exposta em 2016 numa galeria de arte em Ginza, um luxuoso distrito de Tóquio, e que fez parte de uma exposição sobre fantasmas e espectros.
— ‘O suicídio de Mickey Mouse’
Considerado um clássico – ou até mesmo precursor – do filão “Episódio Perdido”, este “O suicídio de Mickey Mouse” (ou “Suicidemouse.avi”, no original) é um vídeo que mostra primeiro Mickey Mouse caminhando de cabeça baixa, com braços cruzados atrás das costas – ao fundo umas notas sombrias de piano. Pouco depois de um minuto, a música para, vem um chiado e aí tudo se perde. Mickey abre um sorriso bizarro, um grito desesperado passa a ser ouvido, o cenário fica catastrófico, o próprio Mickey então vai se deteriorando e, no fim, cai morto. Diz a lenda que a primeira pessoa que assistiu à íntegra do vídeo original se matou.
— Lula Molusco
Outro “Episódio Perdido” famoso – e outro suicídio – é do personagem Lula Molusco, do desenho “Bob Esponja”. No tal episódio, ele terminaria se matando com um tiro de espingarda depois de tomar uma sonora vaia durante uma apresentação de clarinete.
— Pokémon
Tem mais de uma creepypasta “temática” sobre Pokémon.
A mais famosa delas é conhecida como “Pokémon (Creepy) Black”. Ela seria uma versão alternativa dos games originais. Nela, aparecia uma criatura chamada Ghost com um único golpe: curse (amaldiçoar).
Sempre que o comando era usado, a tela ficava preta e o game era deletado, obrigando o jogador a começar tudo de novo.
Mas e o Slender Man?
‘Slender Man’ vai virar filme
Divulgação
Apesar de não ter nascido como creepypasta, o Slender Man deve muito de sua fama ao gênero, que contribuiu muito para a popularização do personagem.
O sujeito alto, magrelo, com braços finos e compridos e sem cara surgiu em 2009, em um fórum de discussão do site Something Awful. Para participar de um concurso de Photoshop, o usuário Eric Knudsen (sob o codinome Victor Surge) postou duas imagens em que era possível ver o Slender Men.
Graças à internet, o homem de terno preto ganhou um folclore próprio em torno de si para chamar de seu. A lenda conta que ele atrai crianças e adolescentes e os faz desaparecer.
Um fandom fiel espalhou o Slender Man pela web com outros fóruns, séries de vídeos, jogos e até contos eróticos dedicados a ele. No Brasil, estrelou filme independente e assustou moradores de uma cidade no interior de São Paulo após aparecer em grafites em muros.
Creepypastas x vida real
Foi em 2012 que o Slender Men tornou-se mais conhecido. Em Waukesha, nos Estados Unidos, duas meninas de 12 anos esfaquearam 19 vezes uma colega, também de 12, que sobreviveu ao ataque.
Morgan Geyser e Anissa Weier disseram ter cometido o crime motivadas pelo personagem da internet. Uma reportagem publicada em 9 de julho de 2014 pelo “New York Times” citou que, de acordo com os promotores, as duas tinham descoberto o Slender Men graças ao site Creepypasta Wiki.
Elas foram condenadas, respectivamente, a 40 e 25 anos de internação em um hospital psiquiátrico. A história é tema do documentário “Cuidado com o Slenderman” (2016).
A revista “Time” reproduziu um post datado de 20 de novembro de 2011 (antes do crime, portanto) publicado no Creepypasta Wiki por um administrador do site que se identifica como Sloshedtrain. Intitulado “Ficção, realidade e você”, o texto dizia:
“Este wiki não apoia ou defende assassinatos, culto nem imitação de rituais de obras de ficção. Há uma linha entre ficção e realidade, e cabe a você perceber onde está essa linha. Somos um site de literatura, não um culto satânico”. O post foi posteriormente apagado.
Com relação à Momo, uma reportagem da BBC do início de agosto lista danos decorrentes da decisão de se escrever para um número desconhecido no Whatsapp. De acordo com investigadores ouvidos pela reportagem, os riscos podem ser:
roubo de informações pessoais;
incitação ao suicídio ou à violência;
assédio;
extorsão;
transtornos físicos e psicológicos (ansiedade, depressão, insônia etc.);
“Lendas urbanas existem desde sempre, e com a internet isso não mudou. Criminosos aproveitam para surfar essa onda”, afirmou Rodrigo Nejm, da ONG Safernet. Ele recomenda, em casos assim, não alimentar a cadeia de mensagens e nem fazer contato com desconhecidos, porque isso torna o alvo sujeito a fraude, extorsão ou ameaça.
Fonte: http://g1.globo.com/dynamo/pop-arte/rss2.xml

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Marcos Morrone

Nascido em São Paulo Capital: Fotógrafo Profissional e Produtor Musical. CEO do Grupo Morrone Comunicações Ltda.

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