ENTRETENIMENTO

'Slender Man': Por que a lenda da internet que motivou crime real chega ao cinema como fracasso de crítica?

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‘Slender Man: Pesadelo sem rosto’ é inspirado em assombração surgida em fórum em 2009. História populariza tragédia, diz pai de garota condenada por tentar matar colega por causa de personagem. Cena de ‘Slender Man: Pesadelo sem rosto’ mostra uma das imagens do personagem que circulam pela internet
Divulgação
Hollywood tansformou em filme a lenda urbana do Slender Man, em sua mais obstinada tentativa de capitalizar um personagem nascido e criado nos confins da internet. Até hoje, ele só havia ultrapassado esses limites ao ser citado como motivação de um crime real, em 2014.
“Slender Man: Pesadelo sem rosto” chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (3), escrachado pela crítica. No Rotten Tomatoes, site que compila críticas, tem 10% de avaliações positivas.
Trailer de ‘Slender Man: Pesadelo sem rosto’
Nas bilheterias, o cenário é outro. O filme estreou nos Estados Unidos no dia 10 de agosto com um surpreendente quarto lugar na lista dos mais vistos. Arrecadou US$ 11 milhões no primeiro fim de semana – já ultrapassando seu modesto orçamento de US$ 10 milhões.
A típica trama de terror adolescente envolve, como é de se esperar, quatro jovens um tanto irresponsáveis. Num dia de tédio, elas tomam a equivocada decisão de invocar a tal assombração por meio de um vídeo na internet. O que acontece a partir daí não é muito difícil de imaginar.
O que é o Slender Man?
A perturbadora figura alta, com longos braços e nenhum rosto surgiu em 2009, em um fórum de discussão do site Something Awful. Para participar de um concurso de Photoshop, o usuário Eric Knudsen (sob o codinome Victor Surge) postou duas imagens em que era possível ver o personagem.
Rapidamente a internet tratou de criar um folclore em torno do homem de terno preto. A lenda conta que ele atrai crianças e adolescentes e os faz desaparecerem. É frequentemente relacionado ao “Flautista de Hamelin”, história dos Irmãos Grimm que virou curta da Disney, em que um homem some com todas as crianças de uma cidadezinha por vingança.
Uma das imagens do Slender Man que circulam pela internet
Divulgação
Um fandom fiel espalhou o Slender Man pela web com outros fóruns, séries de vídeos, jogos e até contos eróticos dedicados a ele. No Brasil, o sujeito ganhou filme independente e, em grafites em muros, assustou moradores de uma cidade do interior de São Paulo.
Mas foi há quatro anos que o Slender Man se tornou mais conhecido. Em Waukesha, nos EUA, duas meninas de 12 anos esfaquearam 19 vezes uma colega, também de 12, que sobreviveu ao ataque.
Morgan Geyser e Anissa Weier disseram que cometeram o crime motivadas pelo personagem da internet. Elas foram condenadas, respectivamente, a 40 e 25 anos de internação em um hospital psiquiátrico. A história é tema do documentário “Cuidado com o Slenderman” (2016).
O filme de ficção não cita diretamente o caso. Mesmo assim, o investimento de Hollywood na lenda que quase acabou em morte foi criticado. Bill Weier, pai de Anissa, disse que o filme “está popularizando uma tragédia”. Ele afirmou, em entrevista à agência Associated Press:
“É um absurdo que eles queiram fazer um filme como esse.”
Joey King e Julia Goldani Telles em cena de ‘Slender Man: Pesadelo sem rosto’
Divulgação
“Eu não estou surpreso, mas, na minha opinião, é extremamente desagradável. Tudo o que estamos fazendo é prolongar a dor que as três famílias passaram.”
Mistura de medo e fascínio
Entre clichês e sustos fáceis, “Pesadelo sem rosto” até tenta refletir sobre o que levou Slender Man a virar, ao mesmo tempo, ídolo e vilão na vida real.
Ele é comparado a uma espécie de vírus: ele entra na cabeça dos jovens, que, numa mistura de medo e fascínio, passa a ampliar sua mensagem por aí.
Mas a produção sempre esteve fadada ao fracasso, na opinião da pesquisadora Shira Chess, professora de estudos de mídia da Universidade da Geórgia, que publicou em 2012 um artigo sobre o Slender Man.
Julia Goldani Telles em cena de ‘Slender Man: Pesadelo sem rosto’
Divulgação
Em uma entrevista ao site americano Mashable, ela diz que o formato do filme é incapaz de captar o real espírito da lenda e o que a tornou tão popular. Ela explica:
“Parte da alegria do Slender Man é o trabalho de detetive. Se alguém faz esse trabalho para você, então ele é só mais um personagem assustador.”
“Eu acho que nunca poderia haver um filme bem-sucedido do Slender Man, porque isso vai contra tudo que ele representa”, conclui. Valeu a tentativa, mas parece que o homem sem rosto continuará morando na internet.
Fonte: http://g1.globo.com/dynamo/pop-arte/rss2.xml

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Marcos Morrone

Nascido em São Paulo Capital: Fotógrafo Profissional e Produtor Musical. CEO do Grupo Morrone Comunicações Ltda.

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