Saúde e Bem-Estar

Exposição retrata crianças afetadas pelo vírus da Zika

Depois do surto de nascimento de crianças com microcefalia causada pela zika que aconteceu há cerca de 4 anos, o vírus ainda está em circulação. Exposição fotográfica dá visibilidade para essas crianças afetadas pela doença cujas consequências são por toda a vida

“Ele me ensinou a ser forte é também o meu combustível, meu coração que bate fora do meu peito”,  diz Bárbara Ferreira da Silva, de 32 anos, referindo-se ao filho Bernardo, de 3 anos e 9 meses diagnosticado com a síndrome congênita do vírus na zika.

Bárbara conta que não teve nenhum sintoma da doença durante a gravidez. “Mas quando meu filho nasceu percebi que havia alguma coisa diferente. Ele chorava muito e não dormia, os médicos receitavam chás e massagens, mas não adiantava. Foi só quando o Bernardo já estava com quatro meses, que passei por um mutirão médico, e meu filho foi diagnosticado. Precisei deixar meu emprego de secretária, sair da cidade de Caruaru, interior de Pernambuco, e ir para Recife para buscar tratamento”, contou.

Bernardo é uma das onze crianças com microcefalia causada pela síndrome congênita do vírus da zika  que participam da Exposição fotográfica Toda Criança é Especial, promovida pelo Instituto Luz Natural, uma entidade, sem fins lucrativos, que, inclusive,   usa a fotografia como ferramenta de mudança social.

Fotógrafas se unem:

As crianças foram retratadas por duas grandes feras da fotografia infantil.  A convite da fotógrafa pernambucana Andréa Leal, a fotógrafa paulista Simone Silvério retratou os pequenos em 2018.  As fotos também tiveram a intervenção do artista plástico Alyson Carvalho.

Em 2019, um ano e meio depois da primeira sessão, as crianças foram novamente clicadas  junto a suas famílias. Desta vez  com o olhar de Andréa Leal. O resultado, além do viés artístico, quer dar visibilidade para essas crianças.Além de dizer que suas necessidades de inclusão, reabilitação e também cidadania precisam ser atendidas.

Quando surgiu o surto , inclusive com possibilidades de epidemia em 2015,  o mundo voltou os olhares para essas crianças.

De certo, hoje há um esquecimento gradativo do assunto no País. Mas as consequências para cada bebê de uma mãe que foi infectada na gravidez são para a vida inteira. Enquanto não houver o controle sobre o Aedes Aegypti, haverá o risco.

No Brasil, mais de três mil crianças nasceram com microcefalia por zika desde 2015.

Elisa com a família. Foto Andréa Leal
Elisa com a família. Foto Andréa Leal

Abertura da exposição em São Paulo:

Logo após  passar por Pernambuco, estado onde foi diagnosticado o maior número de casos no país, a mostra abre hoje  em SP.

 Ficará durante um mês, a partir do dia 28 de novembro, na Galeria Studio Trend, no Alto de Pinheiros.

A exposição com entrada franca, pode ser vista até 20 de dezembro.

As crianças que foram fotografadas para a exposição são atendidas pela Associação Pernambucana União de Mães de Anjos (UMA).

A entidade é reconhecida pela luta por maior assistência às famílias desses pequenos.

Papel social da fotografia:

As duas fotógrafas que participam da mostra, salientam a importância do papel social da fotografia.

Especialista em fotos de crianças e famílias, Simone Silvério participa de vários projetos sociais.

Em outubro foi uma das fotógrafas da exposição “Mulheres no Espelho”, promovida pelo Instituto Viver Hoje, que aconteceu em oito espaços públicos de SP com objetivo de alertar sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama.

Além disso, também protagonizou, em 2016, ao lado da fotógrafa australiana Anne Geddes, uma Campanha Internacional de Combate à Meningite.

 A campanha retratou os atletas paraolímpicos brasileiros. Anne Geddes fotografou os atletas estrangeiros e Simone Silvério os brasileiros.

De acordo com Simone “Trabalhos como esses ilustram bem a questão do papel social da fotografia. A forma com que as famílias encaram desafios gigantescos. Histórias como essas de aprendizado, coragem, superação, solidariedade e sobretudo amor que quis registrar com minhas lentes e compartilhar através do meu olhar. Conviver por algum tempo, deixar-se fotografar e ter imagens legais já trouxe alguns momentos alegres para essas pessoas e sem dúvida para mim que tive o privilégio da companhia delas. Espero, enfim,  que isso contribua de alguma forma para trazer mais coisas positivas tanto a essas pessoas quanto às que se emocionarem com elas”.

A fotógrafa Pernambucana Andréa Leal  criou o Instituto Luz Natural.

A entidade, sem fins lucrativos, também  usa a fotografia como ferramenta de mudança social.

 Além do projeto “Toda a Criança é especial”, o Instituto promove principalmente os projetos “Retratos de mãe”, “ Meu pai, meu  Herói” e “Luz Natural”.

Serviço:

Exposição Toda a Criança é Especial –  retrata crianças afetadas pelo vírus da Zika

Fotógrafas: Simone Silvério e também  Andréa Leal

Exposição: Até 20 de dezembro

Horário: Das 9h às 18h, de segunda a sexta

Local:  Galeria Studio Trend – Rua Costa Carvalho, 213 – Alto de Pinheiros – SP – Fone: 11-2639-9341

Entrada franca

Para saber mais sobre:

Simone Silvério: https://www.simonesilveriofotografia.com.br/

Além disso, confira também seu Instagram: @simonesilverio

Andréa Leal: https://andrealealfotografia.com/

Além disso, confira também seu Instagram: @andrealealfotografia

Confira também dados sobre microcefalia: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/microcefalia

Associação UMA que acolhe crianças com microcefalia: https://www.uniaodemaesdeanjos.com.br/

Instituto Luz Natural: https://www.luznatural.org/

LEIA TAMBÉM: Cinquentenário da “Cantata de Santa Maria de Iquique” no Teatro da UMC

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Cristina Aguilera

Cristina Aguilera é jornalista com pós graduação em Mídias na Educação pela Universidade de São Paulo (USP) . Foi repórter de tv, rádio, revista, assinou colunas de Turismo e Moda. É co autora do livro “ A educação contada pela imprensa” junto com Cesar Callegari. Adora moda, turismo, educação, literatura, designer e cultura.

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